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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Do Calor do Gelo ao Degelo da Verdade

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Nada!..
Nada é o que parece,
Nada é do que parecia,
Nada, do que eu quisesse,
Por mais que sábio se soubesse,
Pouco mais foi do nada que dizia,
E tudo se ficaria pelo que dissesse,
    Até à relatividade de um certo dia!...

Do frio à fria morte do frio global,
Dos icebergs ao congelado pesadelo,
 Do degelo do Sol ao inferno do gelo total,
Das queimaduras geladas ao frio apelo,
Do fogo que derrete na antártida bocal,
Até aos glaciares da palavra diagonal,
     Conservada no mais sólido gelo!...

Aftas e outras úlceras bocais,
A frieza do calor e a febre infernal,
A doença secular dos nossos ancestrais,
Convencer os aviões a amarar nos cais,
Conseguir pôr um barco num voo colossal,
E antes que que o mundo se aperceba do ritual,
Fenómenos inconcebíveis de manipuladores globais,
Ditam a queda de cada mundo, a queda mundial,
Depois do princípio das verdades mais irreais,
Gelo e fogo de existência transcendental,
    Sem contestações fundamentais!...

Tudo arde sem arder,
Sem arder tudo vai ardendo,
Queima-se a verdade sem saber,
   E sem saber vai a verdade morrendo;
Como se a mentira ao degelar,
  Em vez de líquida se tornar,
   Na mentira fosse fervendo,
      Para logo se evaporar!...
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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Gelo do Fogo Posto

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É tão fácil culpar as chamas,
Pelo fogo que te vai consumindo,
É tão fácil ser livro feito de lindas flamas,
Livro que vai ardendo nesse fogo que amas,
Sem frases que, ardendo, fossem luzindo,
Por cada página que te vai consumindo,
    Ao abrigo do fogo que tanto clamas!...

É tanto o calor,
É insuportável o frio sem rosto,
São tão tristes as cinzas frias do amor,
  São tantos os corações vítimas de fogo posto!...
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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Pirografia das Lacunas

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Como uma cicatriz de amor jurada no veio das lacunas,
Essa jura omnipresente de um amor, por amor embargado,
Silêncio consentido das marcas de um segredo amargurado,
Que na silenciosa sombra rasgava a débil mágoa fendida,
Cicatrizando a dor que, por amor, era de si escondida,
    Na aparente solidão escondida ao mesmo amor castigado!...

Não podendo mostrar todo o amor que pelo sol sentia,
Mostrava-se vazia de luz nos dias onde o sol o escondia,
Despida de sua sombra rebelde que a tristeza costurou,
Com agulhas tristes do coração que, enternecido, cerzia,
Incandescendo silêncios que o destino na alma ponteou,
Picotando o anelar sem dedal que, desprotegido, sangrou,
Trespassado pela agulha distante que o sangue expungia,
    Escorrendo-o sobre a tesoura que a sua felicidade cortou!...

Sabendo mostrar o segredo que, por amor, sentia,
Resguardando-se numa reserva de paz melancólica,
Comemorava cada momento com felicidade simbólica,
Não deixando que amor mentido, soubesse que mentia,
Ao revelar o amor de gradadas noites, pela luz do seu dia,
   Luz celestial possuída pelo desejo de uma paixão diabólica!...

No desencontro das horas pirogravava breves momentos,
Queimando a carne com instantes de tórridos sentimentos,
Delineando contornos na injustiça de incendiadas lacunas,
Cinzas de omissões desfragmentadas em vários elementos,
Separados entre si, à distância aprazível de mãos oportunas,
Que, gravando cornucópias triunfantes de humanas fortunas,
Cicatrizam doces emendas distantes com poéticos segmentos,
    Incendiando de liberdade, a loucura de secretos movimentos!...

Agulhas incandescentes flutuam sobre oceanos de salvação,
Gravam águas salgadas com a fervura de um amor impossível,
Salgando prazeres que emergem da profunda distância sensível,
Pelas lágrimas que se afogam entre o sal que queima de sedução,
Ateando o fogo que aceita, no frio insensível do prazer em negação,
    Desencontrado das horas onde a diferença é igualdade incompatível!...

Porque a agulha que atravessa o coração é incandescente,
Ainda que a desigualdade pareça o frio de uma luz mais visível,
    Complementam-se nas semelhanças da verdade de quem mente!...
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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Fogo de Árvores ao Vento

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Todas as árvores do mundo de todos os montes mais altos,
Amantes do vento que todas as árvores, sem ciúmes, amava,
Murmuravam histórias de cinza que o vento quente soprava,
Falando da morte de todas as florestas em todos os planaltos,
E da respiração dos homens, queimada em inumanos assaltos,
Perpetrados por um assassino que seu próprio filho matava!...

Árvores, por breves momentos de luto, em agonia,
Entre brumas de traição e o inferno que as consumia,
Choravam lágrimas de cinza ao ver o seu amante, o vento,
Soprando o amor que transformava numa infernal ventania,
Daquele amante que, pelo amor de suas amantes sedento,
Continuava a amá-las tanto, quanto do fogo era o sustento,
  Sem compreender que, por tanto amor, ambos destruiria!...

Há um código gravado numa misteriosa linguagem, à parte,
Que o post-scriptun da NASA só induz aos públicos ladrões,
Descodifica a imortalidade no frio sem escrúpulos de Marte,
Conservando os genes intactos para escolhidas ressurreições,
Àqueles que destruíram planetas azuis e seus verdes pulmões,
   Exibindo seus crimes em ricas galerias, como a mais bela arte!...

Depósitos inflamáveis de comerciais intentos mesquinhos,
Trespassam a feição dos ventos que rasgam céus queimados,
E metáforas negras serrando veios nos anéis de valiosos pinhos,
Com fumo negro da energia renovada entre fogos cruzados,
Que assinam de cruz secretos contratos de olhos fechados,
Sobre rescaldos recortados no tição dos caminhos!...

Por todas as árvores inocentes do mundo,
Há mundos estranhos de gigantes ventoinhas,
Cobrindo os altos montes de um vazio profundo,
Despojados do seu respirar humano e fecundo;
Falam de mágicas varinhas,
Com poderes nobres de rainhas,
Mas são os reis de poder rotundo,
  Donos da morte das andorinhas!...

Há cada vez mais Primaveras de luto intenso,
Há ventos nascidos assim, para serem amantes,
Oferecendo verdes sopros de afagos estonteantes,
Às verdes árvores nos altos montes e ao contra senso,
Das ventoinhas, essas substituintes do arvoredo imenso,
Que fora amado pelo vento em todos os instantes!...
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sábado, 15 de abril de 2017

Serpentes de Pedra ( Muralhas da Oração)

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A dor cresce no caminho rasgado pelos insolentes,
Pedras lascadas fustigam o coração, infernalmente,
Por cada passo, as pedras afiam-se como navalhas,
Passos de pedra perseguem os passos do inocente,
Preparam-se as mortalhas,
Preparam-se as medalhas,
Embrulham corpos com o sangue frio da serpente,
Serpenteia o louvado mérito do carrasco, meigamente,
Preparam-se as fornalhas,
O corpo arde lentamente,
Preparam-se as batalhas,
Arde o ódio, docemente,
No inferno das muralhas,
    Construídas vorazmente!...

Cobre-me o silêncio de mais um dia,
Em silêncio pergunto ás lágrimas que vão caindo,
Se é calor meigo que do meu coração vai saindo,
Ou se cada lágrima que do meu coração saía,
Era mais uma pedra lascada que dele caía,
   No vale de lágrimas que foi construindo!...

Serpentes de pedra mordem de mansinho,
Suavemente, envolvem o meigo coração,
Prostram os fiéis aos pés da oração,
 Que rezam às pedras do caminho,
O sofrimento da ilusão!...
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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Fogo santíssimo

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Fui condenado ao fogo diabólico,
Por combater o diabo em cada mente,
Pelo santo, foi um santo castigo simbólico,
Fizeram de mim,
Um santo, por dizer assim,
Eleito ao inferno, por santos, simbolicamente,
Fazendo-me mais um santo diferente,
Em pedestal de paraíso retórico,
Esculpido pacientemente,
 Pelo julgamento católico,
    Católico até ao fim!...

Mas, o fogo infernal,
O inferno da madeira secando,
A carne em fogo e o pecado original,
O prazer queimando no inferno celestial,
E o fogo que, a quente, a razão foi apagando,
Sem que  os pecadores soubessem até quando,
A alma da seca madeira fosse tão igual,
 Aos santos que em lume brando,
     Ardiam num inferno de moral!...

Não sei se a madeira com que me fizeram,
Foi altar benzido por todos os pecados,
 Ou se todos os pecados quiseram,
    Ser na madeira sacrificados!...
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terça-feira, 12 de abril de 2016

Culto (O Outro Mundo)


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O flash e os olhos cegos,
Olhar em ruínas terrestres,
A humanidade dos mestres
As peças perdidas de legos,
Os artefatos extraterrestres,
Construções e alguns pregos,
     Inocência e amoras silvestres!...

A luz que na luz se apaga,
A penumbra e a cegueira,
Os fanatismos e a asneira,
Silêncio das trevas e a saga,
A consciência sempre vaga,
A mentira sempre ligeira,
Alguma verdade aziaga,
De um mundo inteiro,
A vida pelo dinheiro,
     E a morte que afaga!...

A sombra das pirâmides invertidas,
O Sol no olhar das sombras perdidas,
O Sol despido a perder-se na noite nua,
A virgindade perdida, abandonada na rua,
O fulgor das consciências corrompidas,
A sombra da sombra de muitas vidas,
Os uivos selvagens dedicados à lua,
A crueza fria das almas vencidas,
O calor das lágrimas vertidas,
O sabor da verdade crua,
A luz que se perpetua,
      Das sombras sentidas!...

O eclipse do olhar,
O apocalipse dos credos religiosos,
Os olhos caídos sobre Deus a chorar,
As lágrimas de Deus a transbordar,
A fúria dos mares tenebrosos,
Os crentes cautelosos,
Deuses a mendigar,
Ricos poderosos,
O poder de salvar,
Nos olhares luminosos,
E a morte que avança devagar,
Lenta, muito lenta, sem se apressar,
Tão lenta se arrasta entre momentos preciosos,
Enquanto dorme a justiça à sombra dos vagarosos,
Que, mal a morte deles se aproxima, apreçam-se a acordar,
Á luz dos seus desejos, despem o mundo e cobrem-se, lustrosos,
Despidos de toda a humanidade e esperança de Amar!...

Os olhos de quem de nenhum olhar se liberta,
O olho de milhares de olhos que tudo observam,
Olhos nervosos de pirâmides que não se enervam,
Pedra sobre pedra à volta do coração que se aperta,
Coração empedernido em agonia na alma deserta,
      De escravos dos que todas as verdades acervam!...

Lâminas muito frias de irresistível perfume,
Perfume frio envolto no mais secreto lume,
Lume fechado em doce gelo muito quente,
O fogo afiado no inferno de cada frio gume,
Ardendo até ao frio coração contundente,
Entre as paredes de fogo até ao cume,
O semear da morte e da semente,
Semear a morte que se assume,
E prolifera-se vivamente,
Sem um queixume,
Do obediente,
   O costume!...

Fechamos os olhos desnecessários,
Sem qualquer necessidade de os ter,
Inúteis, esses nossos olhos ordinários,
   Que nunca outros olhos quiseram ver!...




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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Rio de Fogo

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Neste maldito inferno frígido de diabólico calor,
Vi com estes olhos que muito vinho têm bebido,
As chamas violaram as águas de um rio perdido,
Um grande fogo apagado, esse infernal estupor,
Atravessar rios a nado e deixar um sabor ardido,
     Incendiou frescas águas e levou consigo o amor!...

Quisera o rio encher-se com o sal das marinhas,
E ser atravessado pelas ardentes sereias ufanas,
Enchera-se de sol, de sal e areias muito fininhas,
Seriam os seus lábios beijados por doces rainhas,
Abriram-se ao fogo, as suas margens mundanas,
Mas, a nado veio o fogo do nada,
Levou o inferno à vaidade afogada,
Desse rio que foi ardendo num mar de chamas!...

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Há uma pequena enseada,
Há enseadas calmas e sozinhas,
Passam as doces águas calminhas,
O rio beija a quente areia enamorada,
     Acaricia-a com suas águas fresquinhas!...
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

...de Neve e Fogo!


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…abria-se à cisão de sua fria vontade,
Sentindo-se possuir por um calor imediato,
Calor que lhe ia arrefecendo cada parte,
Das quentes partes abertas à ansiedade,
Abertas docemente ao desejo grato,
Da ligação no momento exato,
De sua necessidade!...

… muitas vezes somos bonecos de neve,
A derreter entre os lábios do inferno,
E antes que o desejo do diabo nos leve,
A.pagamos o fogo que o céu nos deve,
   Com as chamas mais frias do inverno!...

Pagamos o que apagamos,
Dívidas impossíveis de pagar,
  Apagadas do que desejamos,
Frio com que nos queimamos,
   Ou fogo capaz de nos gelar!...

…dois bonecos de fogo,
Brincam com a neve que os extingue,
   Na lascívia de um estranho jogo!...
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