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Não foi tua sede que mataste,
Bebeste toda a minha sede por ti,
Por ti ficou esta sede que deixaste;
És gota única de minha sede sequiosa,
Talvez lágrima que em teus olhos eu li,
És nascente farta e fonte luminosa,
És poema feito de água preciosa,
Último verso que eu não bebi!...
Um piscar no teu piscar,
Lê-me com o desejo que te leio,
Lemos a gota sedenta em nosso olhar,
Copiamos o brilho malicioso na gota
imerso,
E expandimo-lo para todo o universo,
Numa gota ímpar sem se esgotar;
Abres teu peito livre e revelas teu seio,
Universal, o próprio universo… e cheio,
Teu outro seio convida-me a beijar!...
Na última gota que ainda não bebi,
Está tua sede insaciada por me saciar,
Versos salgados,
Que
no teu corpo escrevi!...
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E nasce a poesia de uma fonte inesgotável de imaginação, e como um rio, vence a força da paisagem que insiste em contê-lo. Tenra e terna, uma sede, em parceria com os versos e um grande espelho de luz e de água, vai se transformando em uma união de desejos, que divididos, se unem para fundir muitas paisagens.
ResponderEliminarÉ desse jeito que nasce.
Devagar, e na leitura dos reflexos, o Poema “Gota de Sede... insaciável” comporta a multiplicidade da água. E d’Alma mergulha o mais fundo possível na importância das memórias que se querem sempre vivas e presentes [“Copiamos o brilho malicioso na gota imerso,”], e, reluzindo num coletivo acolhedor [“Universal, o próprio universo… e cheio,”] e num princípio erótico [“Teu outro seio convida-me a beijar!....”], converte a ‘gota’ em entidade de corpo poético numa efusão de luz e brilho.
Enquanto uma velha caneca de alumínio repousa entre a fonte e a luz, resta a sede, insaciada, de uma última gota. Perpetuada, pelo simples prazer de ser, cada vez mais, “Versos salgados” à fonte de um saber inesgotável.
Bom fim de semana, d’Alma.
No teu poema há lábios sequiosos de outros lábios...um corpo ansiando outro corpo...mãos derramando suspiros e murmurando desejos numa volúpia dos sentidos.
ResponderEliminarUm beijinho
Sonhadora