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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Vinho Botado

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Este vinho está botado!...
Vinho de baga bebido,
Memórias com meio sentido,
Enganos de um mundo pintado,
Quadro falso de um pintor falhado,
Que nunca pintou um Amigo!...

Este não sou esse pintor,
Sou quem dispensa tamanho Amor!...

E tu, não sendo quem deverias ser,
Sendo ninguém e pouco mais de nada,
Tal amizade é tua concepção deturpada,
Da verdade que os teus ohos deviam ver,
Mas a tua visão doentiamente errada,
Enterrará teu sóbrio viver!...

Este não sou esse pintor,
Sou quem dispensa tamanho amor!...

No copo mais vinho botado,
Vinho agre de esforçado fingimento,
Fingindo ser um bom vinho confiado,
Á confiança da memória no tempo,
Que desconfiando do pensamento,
Bebe amizade em vinho desquebrado,
Como quem bebe copo de nada botado,
Amigo perdido num definhar sedento!...

Este não sou esse pintor,
Sou quem dispensa tamanho amor,
Neste derradeiro vinho que está botado,
Cheiinho do transbordante nada que resta,
Tinto de tanta tinta sem cor,
Pintando tingida nódoa de dor,
Na ilusão de uma tela que não presta,
Pintado lamento de um pobre pintor,
Quadro pobre de origem modesta!...

Desbotado vinho botado,
Em pacto de sangue desfeito,
Baga pelas falsas castas adoptado,
     É vinagre botado ardendo no peito!...

Talvez seja eu esse botado Pintor,
     Quem dispensa tamanho amor!...
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